NIKLAAS SCHÜÜR - HISTÓRIAS E MEMÓRIAS

Colaboraram Henrique e Germano Schüür

Abaixo a tradução para a língua alemã feita por Dorothéa F. Walter

NICKLAAS SCHÜÜR, filho de Heinrich Menno Schüür e Foske Reuwsaat, nasceu em Emden, Alemanha, em 30 de julho de 1906.

Portador do Passaporte nº 545, expedido pelo Governador da Comarca de Schleswig, Alemanha em 12 de dezembro de 1923, apresentou-se em 15 de janeiro de 1924 no Consulado Geral dos Estados Unidos do Brasil de Hamburgo, onde recebeu o visto para emigrar para o Brasil. Foi assinado por J. de Carvalho Silva, tendo pago a quantia de 4$000 (quatro mil réis) de emolumentos. Assim, em 26 de janeiro de 1924, junto com seus pais e irmãos, embarcou no porto de Hamburgo com destino ao Brasil. Todos se estabeleceram na região missioneira de Santo Ângelo, interior do Rio Grande do Sul.

   

Passaportes de Schleswig (1923) e de Nova Iorque (1930)

No mesmo passaporte emitido na Alemanha, recebeu o visto do Consulado Americano de São Paulo, em 18 de junho de 1928. Para ajudar a custear sua viagem, para os USA, trabalhou como garçom no navio. Desembarcou em Nova Iorque naquele mesmo ano onde trabalhou por pouco tempo.

Contava Niklaas que ele iniciou sua atividade laboral como garçom no restaurante do Waldorf Astoria Hotel, na época tido como o melhor e mais luxuoso existente em todo país. Para obtenção dessa oportunidade participou de intenso treinamento existente para a função. Segundo ele, "as gorjetas eram polpudas", daí o atrativo de desenvolver atividade diferente da pintura.

Como era muito hábil na técnica de escariola e chapelon, também "fez bico" como pintor na construção do Empire States, maior edifício do mundo na época. Nicolau sempre contava que concluíam um andar por dia.

Após o período novaiorquino, foi conquistar o oeste americano. Califórnia foi seu destino, onde trabalhou em São Francisco e Los Angeles. Após voltar e logo desistir de atividades hoteleiras em São Francisco foi para a cidade americana da florescente sétima arte. Na verdade, sua grande qualificação profissional era pintor, com a qual se realizou em Los Angeles. Desenhava muito bem e, conhecedor do preparo das cores, trabalhou nos estúdios das MGM e Warner como cenógrafo e participou, com sua habilidade, dos primeiros filmes mudos de O Gordo e o Magro (Oliver Norvell Hardy Junior e Stan Laurel), de Os Três Patetas ( Moe Howard, Larry Fine e Curly Howard) e de Deanna Durbin, a musa da época do cinema mudo.

Depois de fazer um razoável "pé-de-meia", decidiu finalmente radicar-se nos Estados Unidos. Entretanto quis voltar ao Brasil para rever os familiares e compartilhar as suas novas experiências. Fez um outro passaporte alemão no consulado de Nova Iorque, no dia 3 de julho de 1930. Embarcou em navio que zarpava para a Alemanha e conseguiu um novo visto de entrada no Brasil, agora pelo consulado brasileiro da cidade de Bremen, no dia 11 de setembro de 1930. Desembarcou em 5 de outubro de 1930 na cidade portuária de Rio Grande, nunca mais tendo retornado para os USA.

Em Ijuí - RS, na casa de sua irmã Julianne (tia Juli), casada com Claas Reuwsaat, antes de seu retorno à terra do tio Sam, conheceu uma linda amiga de sua irmã, de nome Gertrud Marie Heinemann, de quem se enamorou. Reunindo o útil ao agradável, foi ficando mais tempo em Ijuí, ajudando seu cunhado, que também era pintor e letrista, e que havia recebido pedido para confecção de inúmeras placas e letreiros, já que na época acontecia, naquela cidade, uma grande feira Agrícola e Industrial. Acabou noivando com Gertrud na esperança de que, casado, realizaria seu projeto de viver na Califórnia. Entretanto, a senhorita Gertrud, que era muito "agarrada" a seus pais que moravam em Burití, distrito de Santo Ângelo, não concordou com a "empreitada". Cansado de esperar, casou com Gertrud em 27 de junho de 1933 e decidiu encarar o Brasil.

Como competente oficial pintor e fabricante de tintas prediais escolheu a cidade de Cruz Alta - RS para se radicar. Por que Cruz Alta? Seu cunhado, pintor, Ernesto Tromenschläger, já havia se estabelecido em Santa Rosa - RS. Seu irmão, também pintor, Volkmar, estava fixado juntamente com seu pai em Santo Ângelo - RS, seu cunhado, também pintor, Claas Reuwsaat, radicado em Ijuí – RS. Daí nada restou mais próximo do que Cruz Alta.

Assim, sua história familiar iniciou em 1933. Logo conseguiu alterar seu nome para Nicolau e de sua mulher para Maria Gertrudes e mudou de nacionalidade, naturalizando-se brasileiro, por decreto do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, datado de 25 de setembro de 1948.

Tiveram 4 filhos, Henrique, nascido em 1934; Marianne em 1936, Hildegard em 1941 e Germano em 1945.

  

Nicolau Schüür em São Paulo (1926), na California - USA (1930), em Santo Ângelo (1933) e em Cruz Alta (1966)

Relatos interessantes e pitorescos

No Brasil, atuou como pintor predial em São Paulo, tendo inclusive participado da pintura do maior prédio brasileiro da época, o Edifício Martinelli.

Nos Estados Unidos, em 1930, após um culto religioso teve a oportunidade de apertar a mão de um velhinho sorridente que, junto com o pastor, dava a mão a todos os que saíam da igreja. Tentou falar com ele e descobriu que era totalmente surdo. Mais tarde descobriu que o homem sorridente e surdo era Thomas Edison.

Sonhos

Contava que na juventude seu maior desejo era o de ser marinheiro. Desejava conhecer o mundo todo.

Também sonhava em ser "piloto de avião". Nesse sentido estimulou muito seu filho Henrique a conseguir sua habilitação como piloto civil, o que viu acontecer, tendo inclusive feito com ele alguns vôos em Cruz Alta.

Religiosidade

Foi homem de muita fé, tendo se doado intensamente para ajudar o próximo. Até chegar ao Brasil, era Confissão Batista. Diante das dificuldades de aceitação das severas exigências posturais de seus membros na época, começou a freqüentar a Igreja Evangélica de Confissão Luterana, até sua morte. Foi exatamente a partir daí, juntamente com sua esposa Gertrud, que seu grande e generoso coração fez com que se doasse e ajudasse, de forma constante, seus semelhantes.

Em Cruz Alta, existia um pequeno número de descendentes alemães de confissão luterana, que conseguiu arregimentar, quando começou a levar adiante sua idéia de fundar a comunidade luterana local. Os primeiros cultos aconteceram na residência do casal Schüür. Após certo tempo, passaram a usar as dependências da Igreja Metodista. Foi o grande líder da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Cruz Alta, desde seu início. Em quase toda a sua vida, celebrava o culto infantil e ministrava o ensino confirmatório.

O primeiro templo, na rua Coronel Pillar, foi edificado e inaugurado sob sua liderança. Posteriormente idealizou e comandou a construção da Casa do Soldado Evangélico (Lar Evangélico). Cruz Alta sendo um importante centro militar, com dois regimentos, Nicolau tinha a constante preocupação com os filhos de cristãos do interior do município e de cidades vizinhas que em Cruz Alta serviam ao Exército. Estes tinham grande dificuldade de adaptação em uma cidade maior. Assim, lá instalados, poderiam estar a salvo das tentações da cidade grande. Foi feliz em seu intento, tendo construído o "lar", em dois andares, com acomodação para 20 pensionistas, localizado no terreno da Igreja, na parte dos fundos. Com alegria encontramos no livro de um dos antigos pensionistas, uma passagem que testemunha o reconhecimento daqueles que lá moraram. Trata-se da obra de Valentim Garros que resgata a história de imigração letoniana no Brasil, Peregrinações - os Garros, Letos em IjuíColméia Gráfica e Editora Ltda, 1ª Edição, Ijuí, RS, 2002.

Reproduzimos parte do texto da página 92 da referida obra:

Anos depois, com o crescimento da comunidade cruzaltense, liderou com muito sucesso a aquisição de um belo terreno na praça principal da cidade e edificou na parte dos fundos, a casa pastoral, ficando livre amplo espaço para a construção de novo templo, que, infelizmente, Nicolau não viu em vida. Hoje está lá edificado, uma igreja moderna e espaçosa. Seu filho Henrique teve forte participação nessa construção, pois era um dos membros da Comissão de Obras.

Já naquela época, tinha uma especial visão ecumênica. Atuava muito entre todas Igrejas Evangélicas Cristãs de Cruz Alta, quando fundaram a "Ação Evangélica de Beneficiência" onde foi praticado todo o tipo de ajuda aos necessitados da periferia, independente da profissão de fé.

Ao fim da última grande guerra, atuou com destemor na obtenção de auxilio material e alimentar para o povo alemão, arrasada e empobrecida, cujas doações em roupas e alimentos eram enviados de Porto Alegre para a Alemanha. Foi reconhecido pelo povo alemão que doou, depois de refeito desses horrores e perdas, para o município de Cruz Alta, todas as máquinas e apetrechos para instalação de moderna marcenaria que foi toda ela destinada para um Patronato Municipal, que treinava e profissionalizava meninos carentes.

Empreendedor.

Em Cruz Alta formou uma eficiente equipe de pintores com a denominação de Pintura Schüür, tendo, durante anos, pintado prédios e residências.

Logomarca da empresa Pintura Schüür

Diante da dificuldade na obtenção dos materiais indispensáveis, principalmente, tintas, já que a fabricação nacional era ainda insipiente dependendo sempre de importações, sua vocação empreendedora fez com que adquirisse prédio bem localizado e constituísse a "Casa das Tintas". Lá instalou bem moderna, ampla e completa loja de tintas, vidros e molduras.

Entretanto, as dificuldades de aquisição de tintas continuava, e seu espírito empreendedor lhe determinou que fundasse uma fábrica de tintas.

   

Logomarcas da Casa das Tintas e Tintas 3 Pintores

Em Santo Ângelo, à 100 kms. de Cruz Alta, seu irmão Volkmar também fundara a "Casa das Tintas" e enfrentava os mesmos problemas de abastecimento. Aí surgiram duas fábricas de tintas. Nicolau, criou a marca 3 PINTORES (uma referencia ao seu pai Heinrich, ao irmão Volkmar e ao cunhado Claas), tintas a base de óleo e de especial qualidade, cuja aceitação foi imediata e vitoriosa. Volkmar, seu irmão, em Santo Ângelo, criou a marca ToTó na linha de esmaltes, que de igual maneira, alcançou muito sucesso.

Fabricavam tintas para assoalho (na época todas casas tinham seu assoalho em madeira) e também massa de vidraceiro.

Em certa época de sua vida, junto com seu cunhado Paulo Heinemann, criou uma empresa de produção fotográfica.

Participação comunitária

À sua visão e participação comunitária, hoje Nicolau Schüür é nome de rua em Cruz Alta. Fica no Bairro Brum e significa uma justa homenagem da cidade a seu filho adotivo.

Nicolau, além de empresário, foi líder comunitário, participando ativamente em eventos e atividades sociais e recreativas. Foi sócio fundador do Rotary Club de Cruz Alta, onde se manteve até a morte. Membro ativo da ACICA – Associação Comercial e Industrial de Cruz Alta, atuou, na diretoria e em comissões e conselhos. Foi Maçom durante muitos anos.

Como presidente da Sociedade de Cultura Artística de Cruz Alta, mercê de grande sensibilidade musical, lutou e conseguiu, juntamente com outros membros da entidade, trazer os melhores concertistas nacionais e até internacionais, para se exibirem em Cruz Alta, como pianistas, violinistas, cantores, etc.

Como esportista, foi sócio fundador do Esporte Clube Nacional, clube dedicado especialmente ao futebol, que conseguiu por repetidas vezes o campeonato regional e estadual.

Na área da educação, foi professor de inglês no "Curso Artigo 99" (equivalente ao ginasial), hoje chamado "supletivo".

Curiosidade

Como viveu nos Estados Unidos, escrevia e falava fluentemente em inglês. Durante a 2ª grande guerra, houve muita perseguição aos imigrantes alemães.

Servia ao Exército, no Quartel General de Cruz Alta, recentemente transferido por promoção, um General de Brigada, vindo de Washington (USA) que soube ter um "alemão" na cidade que falava fluentemente o inglês. Identificou Nicolau e com ele fez boa camaradagem, com constantes reuniões semanais para conversação.

Assim, sempre que era preso algum imigrante falando alemão, este fazia greve de fome e dizia aos policiais que somente aceitaria a comida do Schüür. Era a senha. Assim Nicolau ficava sabendo da prisão. Procurava seu amigo General, que, diga-se a bem da verdade, também não concordava com essas atrocidades e injustiças, determinando a imediata soltura do detido.

Muitos dos saques que os imigrantes sofriam da polícia, também eram devolvidos por interferência de Nicolau junto àquele militar.

Nicklaas, faleceu dia 17 de janeiro de 1967, vitima de segundo infarto do miocárdio. Foi enterrado no dia seguinte no Cemitério Municipal, com grande acompanhamento.

Durante os dias seguintes a imprensa escrita e falada da cidade e região lamentou tamanha e precoce perda (faleceu aos 60 anos).

Nicolau Schüür foi um exemplo constante de trabalho e amor ao próximo. Deixou a seus descendentes um modelo a ser seguido. Hoje podemos dizer com segurança: todos nele se espelharam.

 


 

NIKLAAS SCHÜÜR - GESCHICHTEN UND ERINNERUNGEN

bei Henrique und Germano Schüür

NIKLAAS SCHÜÜR, Sohn von Heinrich Menno Schüür und Foske Reuwsaat, geboren in Emden, Deutschland, am 30. Juli 1906.

Besitzer des Reisepasses nº 545, herausgegeben durch den Gouverneur vom Bezirk Schleswig, Deutschland am 12. Dezember 1923, meldete sich am 15. Januar 1924 beim Brasilianischen Konsulat in Hamburg, und erhielt das Visum, unterschrieben durch J. de Carvalho Silva, zur Auswanderung nach Brasilien. Es wurden 4$000 (Vier Tausend Réis) an Gebühren bezahlt. Am 26. Januar 1924, zusammen mit den Eltern und Geschwistern, ging er zu Schiff im Hafen Hamburg mit dem Ziel Brasilien. Alle liessen sich in der Umgebung von Santo Ângelo, im Innern von Rio Grande do Sul, nieder.

    

Reisepässe Schleswig (1923) und New York (1930)

Die Aussicht das ganze Leben an diesem Ort zu verweilen erschreckte seinen unruhigen Geist und seine Abenteuerlust. Nachdem er nach Porto Alegre und São Paulo umzug und als Maler und Innenarchitekt arbeitete, entschloss er wieder auszuwandern, diesmal in die Vereinigten Staaten Amerikas.

In dem in Deutschland ausgestelltem Reisepass erhielt er das Visum des Amerikanischen Konsulates in São Paulo am 18. Juni 1928. Um für die Kosten der Reise in die USA beizutragen, arbeitete er als Kellner auf dem Schiff. Erreichte New York im selben Jahr, arbeitete aber dort nur kurze Zeit.

Niklaas erzählte, dass er seine Aktivitäten als Kellner im Restaurant vom Waldorf Astoria Hotel ausübte, zu dieser Zeit angesehen als das Beste und luxuöse vorhandene Hotel im ganzen Land. Um diese Arbeitsgelegenheit zu erhalten nahm er an an einem intensiven Training teil. Gemäss seiner Aussage, waren die Trinkgelder sehr hoch, deshalb war diese Arbeit, so viel anders als die der Malerei, so attraktiv.

Da er sehr gut die Techniken ‘escariola’ und ‘chapelon’ beherrschte, machte er auch nebenbei einige Arbeiten als Maler bei der Errichtung des Empire States, das höchste Gebäude der Welt zu der Zeit. Niklaas erzählte immer, dass ein Stockwerk pro Tag fertiggestellt wurde.

Nach der Zeit in New York eroberte er den Westen Amerika’s. Kalifornien war sein Ziel, er arbeitete in São Francisco und Los Angeles. Nachdem er die Aktivitäten in Hotel’s in São Francisco aufgab arbeitete er als Maler in Los Angeles. Er zeichnete sehr gut und kannte die Vorbereitung der Farben, arbeitete bei MGM und Warner als Bühnenmaler und nahm mit seiner Geschicklichkeit an den ersten stummen Filmen ‘Gordo e o Magro’ (Oliver Norvell Hardy Junior und Stan Laurel), ‘Os Três Patetas’ ( Moe Howard, Larry Fine e Curly Howard) und ‘Deanna Durbin’, Muse der Zeit vom stummen Kino, teil.

Nachdem er ein gutes Geld gespart hatte, entschied er sich in den Vereinigten Staaten zu verbleiben. Wollte aber vorher nach Brasilien reisen, um die Familie zu sehen und mit den Seinen die neuen Erlebnisse teilen. Machte einen weiteren deutschen Reisepass beim Konsulat in New York am 3. Juli 1930. Nahm ein Schiff nach Deutschland und erhielt ein neues Visum für Brasilien, jetzt vom brasilianischen Konsulat der Stadt Bremen am 11. September 1930. Kam am 5. Oktober 1930 in der Hafenstadt Rio Grande an und reiste nicht mehr nach den USA.

In Ijuí - RS, im Hause seiner Schwester Juliane (Tante Juli), verheiratet mit Claas Reuwsaat, vor seiner Rückkehr nach USA, lernte er eine schöne Freundin seiner Schwester kennen, ihr Name Gertrud Marie Heinemann, in die er sich verliebte. So verblieb er einige Zeit in Ijuí und half seinem Schwager, der auch Maler und Schildmaler war, und der einen Auftrag für eine Menge von Schilder erhielt, da zu der Zeit sich in der Stadt eine grosse Landwirtschaft- und Industrie-Messe veranstaltete. Er verlobte sich mit Gertrud und hoffte, dass er verheiratet sein Projekt in Kalifornien zu leben sich realisieren würde. Aber, Gertrud war sehr an ihre Eltern ‘geklammert’, die in Buriti, Distrikt zu Santo Ângelo wohnten, und mit dem Umzug nicht einverstanden war. So heiratete er mit Gertrud am 27. Juni 1933 und entschied sich in Brasilien zu bleiben.

Als kompetenter Malermeister und Hersteller von Gebäudefarben wählte er die Stadt Cruz Alta - RS um sich niederzulassen. Warum Cruz Alta? Sein Schwager, Maler, Ernesto Tromenschläger, hatte sich in Santa Rosa – RS niedergelassen. Sein Bruder, auch Malter, Volkmar, war zusammen mit seinem Vater in Santo Ângelo - RS, sein Schwager, auch Maler, Claas Reuwsaat, war in Ijuí – RS ansässig. So verblieb ihm in der Umgebung die Stadt Cruz Alta.

So begann sein Familienleben in 1933. Er konnte gleich seinen Namen auf Nicolau und den seiner Frau auf Maria Gertrudes ändern und liess sich als Brasilianer naturalisieren, durch Dekret des Präsidenten Eurico Gaspar Dutra, am 25. September 1948.

Niklaas und Gertrud haben 4 Kinder, Henrique, 1934; Marianne, 1936, Hildegard, 1941 und Germano,  1945.

  

Nicolau Schüür in São Paulo (1926), in Kalifornien - USA (1930), in Santo Ângelo (1933) und in Cruz Alta (1966)

Interessante und pitoreske Erzählungen

In Brasilien arbeitete er als Gebäudemaler in São Paulo, nahm an dem Anstrich des derzeit grössten Gebäudes São Paulo, Edifício Martinelli, teil.

In den USA, 1930, hatte er Gelegenheit nach einem Gottesdienst die Hand eines lächelnden Alten zu drücken, der jedem der aus der Kirche kam die Hand drückte. Er versuchte mit ihm zu sprechen, aber der Alte war komplett taub. Später erfuhr er, dass der lächelnde, taube Herr, Thomas Edison war.

Träume

Er erzählte, dass er als junger Mann immer Seemann sein wollte. Er wollte die ganze Welt kennenlernen.

Er träumte auch Flugzeug-Pilot zu sein. In diesem Sinne regte er sehr seinen Sohn Henrique an, Pilot zu werden, was sich auch verwirklichte. Er konnte mit dem Sohn einige Flüge in Cruz Alta machen.

Religiosität

War ein guter Christ, und half sehr seinen Nächsten. Bis zu seiner Ankunft in Brasilien war er Baptist. Da die strengen kirchlichen Forderungen an die Gemeindeglieder zu der Zeit schwer zu akzeptieren waren, begann er die IECLB zu besuchen, dies bis zu seinem Tod. Von dieser Zeit an, zusammen mit seiner Frau Gertrud, schenkte er sich und half ständig seinen Gleichen.

In Cruz Alta lebte eine kleine Anzahl von deutschen Abkommen des Lutheranischen Glaubens, die er zusammenbrachte, um die lokale Lutheranische Gemeinde zu gründen. Die ersten Gottesdienste wurden im Hause des Ehepaars Schüür gehalten. Nach einiger Zeit benutzten sie das Gebäude der Methodisten Kirche. Er war seit dem Beginn der grosse Anführer der Evangelischen Lutherischen Gemeinde in Cruz Alta. Fast sein ganzes Leben lang hielt er den Kindergottesdienst und den Konfirmandenunterricht.

Der erste Tempel, in der Coronel Pillar Strasse, wurde unter seiner Führung gebaut und eingeweiht. Später idealisierte er und führte die Aufrichtung des Gemeindehaus. Da Cruz Alta ein wichtiges Militärzentrum war, mit zwei Regimente, war Niklaas immer mit den Söhnen der Christen vom Innern des Munizip und Nachbarstädten besorgt, die im Militärdienst waren. Die hatten grosse Schwierigkeiten, sich an das Leben in einer grösseren Stadt anzupassen. So konnten diese im Gemeindehaus untergebracht von den Versuchungen der Grosstadt entfernt bleiben. Das 2-stöckige Gebäude gab 20 Pensionären Unterkunft und war auf dem Grundstück hinter der Kirche aufgebaut. Mit Freude konnten wir im Buch eines ehemaligen Pensionären ein Zeugnis der Anerkennung von denen die dort wohnten finden. Es handelt sich um das Buch von Valentim Garros über die letonische Einwanderung in Brasilien, Peregrinações - os Garros, Letos em Ijuí – Colméia Gráfica e Editora Ltda, 1ª Edição, Ijuí, RS, 2002.

Einige Jahre später, mit dem Wachstum der Gemeinde von Cruz Alta, wurde unter seine Anführung der Kauf eines Grundstückes an dem Hauptplatz der Stadt und die Aufstellung des Pastorhauses veranstaltet. Der Aufstellung der neuen Kirche vor dem Haus konnte Niklaas leider nicht mehr beiwohnen. Heute ist dort eine grosse und moderne Kirche aufgestellt. Sein Sohn Henrique nahm an der Errichtung teil, da er Mitglied der Bauarbeitenkommission war.

Bereits zu der Zeit hatte er eine spezielle ökomenische Ansicht. Wirkte sehr mit allen evangelischen Kirchen in Cruz Alta, gründeten die “Evangelische Wohltätigkeitsaktion”, die jegliche Hilfe an die Bedürftigen der Peripherie, unabhängig des Glaubens, erteilte.

Am Ende des letzten grossen Krieges wirkte er kühn beim Erlangen von Hilfe an Material und Nahrung für das deutsche Volk, zerstört und verarmt. Die Spenden an Kleidung und Nahrung wurden von Porto Alegre nach Deutschland geschickt. Die Hilfe wurde vom deutschen Volk anerkannt, das später für das Munizip Cruz Alta alle Maschinen und Installationen für eine moderne Möbeltischlerei spendete, die arme Kinder schulte und im Beruf ausbildete.

Unternehmer

In Cruz Alta bildete er eine fähige Malergruppe aus, unter der Bezeichnung Pintura Schüür, die über Lange Jahre Gebäude und Häuser angestrichen haben.

Marke des Unternehmen Pintura Schüür

Da es sehr schwierig war, das notwendige Material zu erhalten, hauptsächlich Farben, da die nationale Herstellung noch immer vom Import abhängte, kaufte er durch seinen Unternehmersgeist ein Gebäude und gründete die "Casa das Tintas". Dort installierte er einen modernen, grossen und kompletten Kaufladen mit Farben, Glasscheiben und Rahmen.

Aber, die Schwierigkeiten beim Kauf der Farben verblieb, so dass er eine Farbenfabrik gründete.

   

Marken der Casa das Tintas  und  Tintas 3 Pintores

In Santo Ângelo, 100 km von Cruz Alta entfernt, hatte sein Bruder Volkmar auch die "Casa das Tintas" gegründet und hatte auch Schwierigkeiten beim Kauf der Farben. So wurden zwei Farbenfabriken gegründet. Nicolau, gründete die Marke 3 PINTORES (3 MALER, eine Referenz an seinen Vater Heinrich, seinen Bruder Heinrich und Schwager Claas), Ölfarben von spezialer Qualität, die sofort gut anerkannt wurden. Volkmar, sein Bruder, gründete in Santo Ângelo die Marke ToTó , spezialisiert auf Emailfarben, die auch grossen Erfolg hatte.

Stellten Farben für Fussböden her (zu der Zeit hatten alle Häuser Holzfussboden) und auch Fensterkit her.

Zusammen mit seinem Schwager Paulo Heinemann gründete er eine photographische Produktion.

Geimeinschaftliche Teilnahme

Durch seine Teilnahme an der Gemeinde ist heute Nicolau Schüür der name einer Strasse in Cruz Alta, im Stadtteil Brum und bedeutet eine Ehrung der Stadt.

Nicolau, nahm neben seiner Arbeiten in seinen Unternehmen auch aktiv an den Problemen der Gemeinde teil. Er war Gründermitglied vom  Rotary Club in Cruz Alta, und verblieb als Mitglied bis zu seinem Tode. Auch war er aktiver Mitglied der ACICA – Associação Comercial e Industrial de Cruz Alta (Industrie- und handelskammer), in der Direktion und als Berater. Mehrere Jahre war er Freimaurer.

Als Präsident der Sociedade de Cultura Artística de Cruz Alta (Kunstverein), konnte er zusammen mit anderen Mitgliedern die besten nationalen und internationalen Konzerte nach Cruz Alta bringen, unter diesen Klavier-, Violinen- und Sänger-, usw.

Als Sportler war er Gründermitglied des Esporte Clube Nacional, spezial dem Fussball gewidmet.

Im Erziehungsgebiet war er Englisch-Lehrer im "Curso Artigo 99" (Gymnasium).

Merkwürdigkeit

Da er in den Vereinigten Staaten gelebt hatte, schrieb und sprach er fliessend englisch. Während dem 2. Weltkrieg wurden die deutschen Einwanderen sehr verfolgt.

Beim Heer, im Generalquartier Cruz Alta, kam ein Brigadegeneral aus Washington (USA) versetzt, der erfuhr dass es in der Stadt einen “Deutschen” gab der fliessend englisch sprach. Nicolau und er bekamen Kameraden und hatten wöchentliche Besprechungen.

So, immer wenn ein Imigrant der Deutsch sprach in Gefangenschaft kam, machte er Hungerstreik und sagte der Polizei, dass er nur Speise vom Schüür annehmen würde. Das war das Zeichen, so wurde Nicolau über die Gefangenschaft informiert. Er suchte seinen Freund General auf, der auch mit diese Greuel und Ungerechtigkeiten nicht einverstanden war, und so die sofortige Freilassung befahl.

Viele Plünderungen der Imigranten durch die Polizei konnten durch diese Freundschaft wieder zurückgegeben werden.

Nicklaas, starb am 17. Januar 1967, an einem zweiten Herzinfarkt. Er wurde am nächsten Tag auf dem Munizipalfriedhof unter grosser Begleitung begraben.

Während der nächsten Tagen bedauerte die Presse der Stadt und Umgebung den frühen Tod (er starb im Alter von 60 Jahren).

Nicolau Schüür war ein Vorbild von ständiger Arbeit und Nächstenliebe. Er liess seinen Nachkommen ein nachzuahmendes Vorbild. Heute können wir sagen: alle haben sich in ihm gespiegelt.